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"Busco nos sentidos e nas palavras, meu corpo é quase um livro e você vai perceber que muita gente, muita chuva, muito choro, muita luta ainda vai transcrever pedaços imaginados de vida na tua pele. Busco e tenho isso tão claro em mente que acho que me perder vai ser fácil, mas nem me importo. Visto o meu melhor sorriso, meio Black Tie, meio palhaço e pinto o teu nariz com sorvete. Te faço feliz e você me aponta um pouco a direção que eu devo seguir? Se não souber, tudo bem, eu te faço feliz mesmo assim pelo tempo que eu ficar aqui, pelo tempo que a inquietação não me bater e eu pensar que é hora de ir, boa noite, meu amor.
E olha, não esquenta muito a cabeça com a vida, porque talvez você também esteja nessa jornada e nem saiba. Nem vale se martirizar tanto por deixar alguém pra trás, porque se for amor, você volta. Se não for, você continua buscando alguma coisa, alguma resposta, mas nem vem sentir culpa por isso. Não é falta de foco, é peito cheio de mais esperança pra encontrar aquela coisa, aquela que você tanto sonhou, a tal da pergunta que pode salvar a sua vida de ser um pouco menos comum, um pouco menos ordinária. Talvez você também esteja buscando, vem comigo, aproveita a viagem e olha bem a paisagem. Cê não achou o mundo lindo? Então fecha os olhos, respira fundo e continua nessa caminhada. Juro que isso não é mais um texto pra você largar tudo por aí e vir embora, se sentir infeliz ou me achar piegas. Aliás, você pode me achar piegas. É seu direito, exerça-o sempre.
Mas esse relato é só uma tentativa minha de continuar buscando sem sentir culpa, de tentar achar uma pergunta e um modo de pedir ajuda. Você pode estar um pouco perdido, mas continue andando. O que eu ando procurando sou eu. Talvez você também esteja.”